Avaliação Pré-Operatória de Hérnias Abdominais Exames Essenciais e Planejamento Cirúrgico

Avaliação Pré-Operatória de Hérnias Abdominais: Exame e Planejamento Cirúrgico Essenciais

Passo crucial no tratamento das hérnias abdominais, a avaliação pré-operatória permite reconhecer fatores de risco, definir a abordagem cirúrgica mais apropriada e minimizar possíveis complicações. Este artigo aborda os exames necessários e o planejamento cirúrgico para assegurar uma intervenção segura e eficaz.

Importância da Avaliação Pré-Operatória

O principal objetivo da avaliação pré-operatória é garantir a segurança do paciente durante e após a cirurgia. Este processo envolve um exame minucioso do histórico médico, a realização de um exame físico e a execução de exames complementares, quando indicados. Essa abordagem possibilita a identificação de comorbidades, a avaliação do estado nutricional e funcional do paciente, além de planejar a técnica cirúrgica mais adequada para cada caso.

Exames Essenciais na Avaliação Pré-Operatória

A seleção de exames pré-operatórios deve ser feita de forma individualizada, levando em conta a história clínica, comorbidades e o tipo de procedimento a ser realizado. Exames de rotina em pacientes assintomáticos e sem patologias subjacentes significativas não são recomendados, pois podem resultar em diagnósticos falso-positivos e conduzir a intervenções desnecessárias.

1. Exames Laboratoriais

– Hemograma Completo: Vital para detectar a presença de anemia, infecções ou distúrbios hematológicos que possam afetar o risco cirúrgico.

– Coagulograma: Essencial para identificar distúrbios de coagulação que possam aumentar o risco de hemorragias durante a cirurgia.

– Função Renal e Hepática: Testes como creatinina, ureia, transaminases e bilirrubinas são indicados para pacientes com histórico de doenças renais ou hepáticas.

– Glicemia de Jejum: Crucial para pacientes diabéticos ou com suspeita de diabetes, visando um controle glicêmico adequado no período perioperatório.

2. Exames de Imagem

– Ultrassonografia (USG): Usada inicialmente na suspeita de hérnia, especialmente quando o exame clínico é inconclusivo ou para diagnóstico diferencial. A USG, de baixo custo e acessível, é eficaz e útil para hérnias epigástricas, de Spiegel, crurais, incisionais, lombares e umbilicais. Facilita o diagnóstico de hérnias crurais em mulheres, que apresentam maior dificuldade de detecção.

– Tomografia Computadorizada (TC): Fundamental para avaliar hérnias lombares e incisionais de grande porte. Em extensas hérnias ventrais, ajuda no planejamento cirúrgico e nas terapias para fechamento, como pneumoperitôneo terapêutico.

– Ressonância Magnética (RM): Indicada em casos de dúvida após exame clínico e USG, sendo mais precisa que a TC. Apresenta alta sensibilidade e especificidade para hérnias crurais.

3. Avaliação Cardiopulmonar

– Eletrocardiograma (ECG): Recomendado para pacientes acima de 50 anos ou com histórico de doenças cardiovasculares, para identificar arritmias ou isquemia miocárdica.

– Radiografia de Tórax: Sugerida para pacientes com mais de 50 anos que serão submetidos a procedimentos abdominais superiores ou torácicos, ajudando a identificar doenças pulmonares subjacentes.

– Provas de Função Pulmonar: Devem ser realizadas em pacientes com dispneia, intolerância ao exercício físico ou histórico de doenças pulmonares, para avaliar a capacidade respiratória e o risco de complicações pulmonares no pós-operatório.

Planejamento Cirúrgico

Um planejamento cirúrgico adequado é vital para o sucesso do tratamento das hérnias abdominais. A escolha da técnica cirúrgica deve levar em consideração fatores como o tipo e tamanho da hérnia, a presença de comorbidades, a experiência do cirurgião e as preferências do paciente.

1. Técnicas Cirúrgicas

– Cirurgia Aberta: Utilizada tradicionalmente, proporciona visualização direta e acesso amplo à hérnia. É eficaz para casos complexos, porém pode estar associada a maior dor pós-operatória e a um tempo de recuperação mais prolongado.

– Videolaparoscopia: Técnica minimamente invasiva que utiliza pequenas incisões e uma câmera para guiar o procedimento. Proporciona menor dor pós-operatória, recuperação mais acelerada e menor risco de infecção. Recomenda-se em hérnias inguinais bilaterais, recidivadas, hérnia do esportista, hérnias em pacientes com alta atividade física, hérnias complexas e de difícil avaliação.

– Cirurgia Robótica: Esta abordagem avançada utiliza um robô para auxiliar o cirurgião, oferecendo maior precisão e controle. Indicada principalmente para grandes hérnias ou recidivadas, oferece benefícios como menor dor pós-operatória e recuperação mais rápida.

2. Uso de Telas (Próteses)

O uso de telas sintéticas ou biológicas é comum na reparação de hérnias, visando reforçar a parede abdominal e diminuir o risco de recidiva. A escolha do tipo de tela e sua colocação (pré-peritoneal, intraperitoneal ou onlay) deve ser personalizada, considerando fatores como o tamanho do defeito herniário, a presença de infecção e as preferências do cirurgião.

3. Cuidados Pré-Operatórios

– Controle de Comorbidades: Fundamental otimizar o controle de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, antes da cirurgia, para diminuir o risco de complicações.

– Cessação do Tabagismo: Pessoas fumantes devem ser incentivadas a parar de fumar pelo menos quatro semanas antes da cirurgia, já que o tabagismo está associado a um risco maior de complicações pulmonares e dificuldades na cicatrização.

– Preparo Intestinal: Em alguns casos, o uso de laxantes ou enemas pode ser necessário para esvaziar o intestino antes da cirurgia, especialmente em procedimentos envolvendo o trato gastrointestinal.

– Jejum Pré-Operatório: Geralmente, recomenda-se um jejum de 8 a 12 horas antes da cirurgia, para reduzir o risco de aspiração durante a anestesia.

Conclusão

Uma avaliação pré-operatória detalhada e um planejamento cirúrgico minucioso são indispensáveis para o sucesso no tratamento das hérnias abdominais. Personalizar os exames e escolher a técnica cirúrgica mais adequada contribuem para a redução de complicações e melhoram os resultados pós-operatórios. Pacientes bem avaliados e preparados tendem a ter uma recuperação mais rápida e uma menor taxa de recidiva, reforçando a importância de uma abordagem cuidadosa e individualizada.

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